Estamos acostumados a esperar medidas e soluções que venham “de cima”, que resolvam todos os nossos problemas. Entretanto, há uma poderosa Rede de pessoas que arregaça as mangas e busca melhorar a qualidade de vida a partir do próprio espaço do seu bairro, região ou município, organizando parcerias com os diversos níveis de governo, articulando os diversos atores sociais e econômicos, visando uma nova dinâmica de desenvolvimento local.
Essa Rede é poderosa e o Projeto Político de Desenvolvimento das cidades do Paraná - implantado nas cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Londrina e Maringá, atendendo sete bairros - tem a missão de identificar as medidas que melhor possam ajudar a dinamizar o que vem sendo feito, a liberar os potenciais existentes, a mobilizar os recursos subutilizados, a remover os entraves ao desenvolvimento local.
A visão que encontramos diariamente na mídia e nas discussões econômicas se refere geralmente à globalização. No entanto, é local a organização de um bom sistema de saúde, a geração de micro e pequenas empresas, a construção de casas, a dinâmica cultural da cidade, da região ou do bairro onde vivemos, a qualidade da água, a geração de espaços de lazer, a política de assistência social, a limpeza urbana, o saneamento básico, o clima de segurança, ou seja, elementos essenciais da nossa qualidade de vida.
O local, neste sentido, não é um espaço residual onde se fazem pequenas políticas sociais. É o espaço onde, em última instância, se verificam – ou não – os progressos da sociedade em termos de atividades econômicas, de equilíbrio social, de qualidade de vida, de sustentabilidade ambiental e de articulação política. Não constitui o espaço único do processo de desenvolvimento – sendo inclusive essencial a forma como se articula com os outros níveis – mas constitui o ponto de partida e chegada, onde podemos avaliar se estamos, realmente, vivendo melhor.
*Gilséia Baraniuk